Cheguei mais cedo de uma viagem de trabalho e encontrei minha esposa trancada dentro do próprio quarto

Chapter 2

Grant não dormiu nada durante a primeira noite no hotel.

Ele ficou sentado numa poltrona perto do berço improvisado, observando Caleb dormir, enquanto Audrey finalmente conseguia descansar depois de tantas horas tensas.

Pela manhã, ele fez a primeira ligação.

Não foi para a mãe.

Foi para Marcus, seu advogado de confiança havia mais de dez anos.

— Preciso que você comece um processo — disse Grant, com a voz mais fria do que o normal. — Quero o nome da minha mãe fora da escritura da propriedade de Greenwich.

Do outro lado, Marcus hesitou.

— Grant, aquela casa está em nome da família há gerações. Isso vai levantar muita poeira.

— Eu sei — respondeu Grant. — Faça mesmo assim.

Enquanto isso, Audrey acordou e encontrou Grant já vestido, o telefone na mão, o rosto sério.

— O que você está fazendo? — perguntou ela, ainda meio grogue.

— Resolvendo isso de uma vez — disse ele, sentando-se ao lado dela na cama. — Antes de mais nada, preciso que você me conte exatamente o que aconteceu ontem.

Audrey abraçou os joelhos, olhando para o berço.

— Ela disse que eu precisava descansar. Que ela cuidaria de tudo lá embaixo, que era só uma reuniãozinha com as amigas dela.

— E a porta?

Audrey engoliu em seco.

— Ela trancou por fora. Disse que era pra eu não ser incomodada. Quando percebi que a janela estava aberta e que estava muito frio, tentei sair, mas a porta não abria.

Grant fechou os punhos.

— Por quanto tempo você ficou lá dentro?

— Quase três horas.

Ele se levantou, andando pelo quarto do hotel, tentando conter a raiva.

— Três horas com o Caleb num quarto gelado, enquanto ela recebia gente lá embaixo como se fosse dona da casa.

— Grant, eu tentei te ligar.

— Eu sei — ele parou, olhando pra ela. — Vi as chamadas perdidas assim que desliguei o avião. Eu devia ter ligado de volta na hora.

— Você não tinha como saber.

— Não importa. Isso não vai acontecer de novo.

Enquanto isso, na mansão em Greenwich, Lenora acordava tarde, ainda satisfeita com a noite anterior, sem imaginar o que a esperava.

Foi a governanta, Ines, quem bateu à porta do seu quarto, nervosa.

— Senhora Whitmore, tem uns caminhões grandes na entrada.

Lenora franziu a testa, ainda enrolada no roupão de seda.

— Caminhões? Que caminhões?

Quando desceu e abriu a porta principal, viu três caminhões de mudança estacionados, e dois homens de colete já retirando móveis do escritório de Grant.

— O que vocês pensam que estão fazendo? — gritou ela, atravessando o jardim.

Um dos homens mostrou um documento.

— Ordens do senhor Whitmore, senhora. Estamos retirando os pertences pessoais dele e da esposa.

Lenora pegou o telefone e ligou para Grant, o coração acelerado.

Ele atendeu no segundo toque.

— Grant, o que está acontecendo? Tem gente mexendo nas suas coisas aqui em casa!

— Não é mais minha casa, mãe. Pelo menos, não vai continuar sendo do jeito que era.

— Do que você está falando? Isso é loucura!

— Você trancou minha esposa e meu filho num quarto gelado enquanto dava uma festa lá embaixo. Isso é loucura.

Houve um silêncio do outro lado.

— Eu só queria que ela descansasse, Grant. Você está exagerando.

— Descansasse trancada? Com a janela aberta e o Caleb quase hipotérmico?

— Eu não sabia que a janela estava aberta!

— Não importa se sabia ou não. Você trancou a porta por fora, mãe. Isso não tem desculpa.

Lenora respirou fundo, tentando recuperar o controle da conversa.

— Grant, essa casa é da nossa família. Você não pode simplesmente…

— Posso, sim. E vou.

— Você vai se arrepender disso.

— A única coisa da qual eu me arrependo é ter demorado tanto pra perceber o que estava acontecendo debaixo do meu próprio teto.

Ele desligou antes que ela pudesse responder.

Lenora ficou parada no meio do jardim, vendo os homens carregarem mais uma caixa para dentro do caminhão, sentindo, pela primeira vez, que talvez tivesse perdido o controle de algo que sempre considerou seu.

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