Chapter 3
Duas semanas se passaram, e Grant e Audrey já haviam se instalado num apartamento temporário no centro de Greenwich, mais perto do escritório dele.
Caleb parecia mais tranquilo ali, longe da tensão constante da mansão.
Audrey ainda tinha pesadelos com aquela noite, mas aos poucos ia se sentindo mais segura.
Foi numa tarde de terça que Grant recebeu a ligação de Marcus.
— Grant, sua mãe contratou o escritório Delacroix. Eles são conhecidos por processos de família complicados.
Grant apertou a ponte do nariz.
— O que ela está tentando fazer?
— Alegar que a propriedade tem valor histórico e sentimental para a família, e que ela tem direito a permanecer morando lá, independentemente da titularidade.
— Ela não mora lá sozinha, Marcus. Ela vive na casa que eu sustento.
— Eu sei. Mas ela também está insinuando, em conversas com conhecidos, que você e Audrey “abandonaram” a casa de forma precipitada, sem justificativa.
Grant sentiu o sangue subir.
— Sem justificativa? Ela trancou minha esposa e meu filho num quarto gelado.
— Isso eu sei, e vamos usar isso. Mas preciso que você e Audrey documentem tudo. Datas, mensagens, qualquer prova.
Naquela noite, Grant contou a Audrey sobre a ligação.
Ela ficou em silêncio por um momento, olhando para Caleb, que dormia tranquilo no berço.
— Ela vai tentar fazer parecer que eu sou instável, não vai? — perguntou Audrey, a voz baixa.
— Não vou deixar isso acontecer.
— Grant, sua mãe conhece todo mundo importante nessa cidade. As amigas dela estão nos clubes, nos jantares, em todo lugar que importa.
— E daí? Isso não muda o que ela fez.
— Mas muda como as pessoas vão enxergar isso.
Grant se sentou ao lado dela, pegando sua mão.
— Audrey, eu não me importo com o que as amigas da minha mãe pensam. Eu me importo com você e com o Caleb.
No dia seguinte, Grant foi até a casa dos pais de Audrey, buscando o antigo diário de bordo do bebê, onde ela anotava horários de mamada e sono — um detalhe que acabaria sendo importante.
Foi lá que a mãe de Audrey, Diane, mencionou algo que fez Grant parar.
— Sabe, Grant, a Audrey me ligou um mês atrás, bem preocupada. Disse que a Lenora tinha comentado, na frente de outras pessoas, que “Audrey não tinha o perfil certo para a família Whitmore”.
Grant franziu a testa.
— Ela nunca me contou isso.
— Ela não quis criar confusão. Achou que era só implicância de sogra.
Aquilo plantou uma dúvida na cabeça de Grant.
Ele voltou para casa e perguntou diretamente a Audrey.
— Por que você nunca me contou o que minha mãe andava dizendo sobre você?
Audrey suspirou, sentando-se na cama.
— Porque eu sabia que você ia ficar assim. Bravo, na defensiva. E eu não queria criar uma guerra entre vocês por causa de comentários.
— Audrey, isso não era só implicância. Isso é um padrão.
— Eu sei disso agora.
Grant ficou olhando pela janela por um longo momento.
— Tem mais alguma coisa que você não me contou?
Audrey hesitou, e aquela hesitação disse mais do que qualquer palavra.
— Tem uma coisa. Mas acho melhor você ver com os próprios olhos.
Ela pegou o celular e começou a procurar algo nas mensagens antigas, o rosto tenso.
— Encontrei isso há duas semanas, num grupo de WhatsApp que a Ines, a governanta, me adicionou sem querer.

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