Chapter 4
Grant pegou o celular das mãos de Audrey, os olhos correndo pela tela.
Era uma conversa antiga, de quase dois meses atrás, num grupo chamado “Chá das Quintas”, entre Lenora e três amigas próximas.
A primeira mensagem que chamou sua atenção era de Lenora:
“Ainda acho que o Grant merecia alguém mais preparada para esse tipo de vida. A Audrey é doce, mas não tem o que precisa para administrar uma casa como a nossa.”
Outra amiga respondera: “E o bebê? Isso muda tudo, não muda?”
E Lenora: “Muda, mas não do jeito que vocês pensam. Um herdeiro Whitmore precisa de uma mãe que saiba seu lugar nessa família. Estou trabalhando nisso aos poucos.”
Grant sentiu o estômago revirar.
— “Trabalhando nisso aos poucos”? O que isso quer dizer?
Audrey balançou a cabeça.
— Eu não sei ao certo. Mas tem mais.
Ela rolou a tela para uma mensagem mais recente, de apenas três dias antes daquela noite fatídica:
“Vou aproveitar que o Grant vai estar viajando essa semana. Convidei a Marjorie e a família dela para jantar. Ela sempre achou o Grant um bom partido, antes dele conhecer a Audrey. Nunca é tarde para plantar uma sementinha.”
Grant ficou paralisado, releitura a mensagem três vezes.
— Ela estava tentando me reaproximar de outra mulher enquanto eu estava fora, com meu filho recém-nascido em casa?
— Foi isso que eu pensei também — disse Audrey, a voz tremendo. — E acho que a festa daquela noite era exatamente isso. Um jantar arranjado, com a Marjorie entre os convidados.
Grant se levantou, andando de um lado para o outro do apartamento.
— Isso explica por que ela queria você fora de vista. Não era sobre “descanso”. Era pra te tirar do caminho.
— E o Caleb ficou exposto ao frio por causa disso — completou Audrey, a voz quebrando.
Grant parou, ajoelhando-se na frente dela.
— Audrey, eu juro que isso vai ter consequências. Não só pela casa. Por tudo.
Naquela mesma noite, ele ligou para Marcus e mandou a captura de tela das mensagens.
— Isso muda o processo completamente — disse Marcus, depois de alguns segundos de silêncio. — Isso não é mais só uma disputa sobre propriedade. Isso mostra intenção e negligência deliberada.
— Quero que ela saiba que eu vi essas mensagens.
— Tem certeza? Podemos usar isso com mais força no tribunal, sem avisar antes.
— Não quero só ganhar um processo, Marcus. Quero que ela entenda, de uma vez, que perdeu.
No dia seguinte, Grant foi até a mansão, sozinho, pela primeira vez desde que saiu.
Encontrou Lenora no jardim de inverno, tomando chá, como se nada tivesse mudado.
— Grant! — ela sorriu, se levantando. — Que bom que você veio conversar. Sabia que ia entrar em razão.
Ele colocou o celular na mesinha entre eles, a tela mostrando a conversa do grupo.
O sorriso de Lenora desapareceu instantaneamente.
— Onde você conseguiu isso?
— Isso não importa. O que importa é que agora eu sei a verdade.
— Grant, deixa eu explicar…
— Não tem explicação, mãe. Você tentou afastar a mãe do meu filho pra colocar outra mulher no lugar dela. E quase machucou o Caleb no processo.
Lenora abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu.
— Isso não vai ficar assim — disse Grant, se levantando. — Você vai perder essa casa. E, pior que isso, você vai perder o direito de fazer parte da vida do seu neto do jeito que era antes.
Ele saiu do jardim de inverno sem olhar para trás, deixando Lenora sozinha entre as plantas, o chá esfriando na xícara, e pela primeira vez na vida, sem uma resposta pronta.

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